Paris é complicada

Esta semana estivémos pela Disneyland, e um dia em Paris. Neste artigo vou partilhar convosco informações práticas sobre esta visita à cidade, e depois a minha opinião geral sobre o que conheci de Paris, pois foi a segunda vez que lá estive. Espero que gostem e que seja útil!

  • Transfer de Orly para a cidade

Há diferentes opções, mas nós escolhemos o Orlybus, pois pelo que vi é o mais simpático com a carteira. E mesmo assim… Por 08,30€ por pessoa eu esperava algo mais confortável, mas é um autocarro de cidade igual aos outros, com poucos bancos. Tem nome próprio porque faz o trajecto do aeroporto de Orly para a cidade, com a paragem em Denfert-Rochereau.

Para comprar os bilhetes devem dirigir-se à plataforma 5 na estação de autocarros de Orly, mesmo à saída da zona das chegadas, e adquiri-los numa das máquinas disponíveis ou directamente com o motorista. Ao entrar num autocarro devem validar os vossos bilhetes, inserindo-os nesta geringonça (foto abaixo).

 

  • Transportes públicos em Paris

A forma mais fácil de se deslocarem na cidade será utilizando o metro. No nosso caso, queríamos ir de Denfert-Rochereau para a zona de Montmartre, chegámos de noite e o ideal investir numa opção de bilhete que nos rendesse ainda para o dia seguinte.

O plano inicial era adquirir um bilhete diário Mobilis para as zonas 1-2, mas caíu por terra quando percebemos que para os franceses isso significa que é literalmente válido por um dia – das 00.00h do dia em que se activa até às 00.00h do dia seguinte. Ou seja, como estávamos ali às 21h, só teríamos esse bilhete válido até à meia-noite…

Assim sendo optámos por comprar um carnet de 10 bilhetes T+, pelo qual pagámos 14,90€ (fica mais barato do que comprar bilhetes individuais), o que significa que ficámos com 10 pedacinhos de cartão (foto abaixo) para utilizar em viagens individuais no sistema de transportes públicos – extremamente prático! *cof cof*

bilhetes_Paris

Para se orientarem (ou não se desorientarem) utilizem sempre este site, assim saberão facilmente como ir do ponto A ao ponto B. Também encontrarão mapas nas estações com dicas para os turistas, como por exemplo o símbolo da Torre Eiffel desenhado junto à respectiva paragem de metro (Bir-Hakeim) ou a silhueta do Mickey para a Disney (Marne-la-Vallée Chessy). Andem sempre com um mapa da rede de metro, que podem recolher em qualquer posto de informação turística.

Utilizámos o metro e autocarros, mas acabámos por andar a pé durante a maior parte da visita a Paris, pelo que nos sobraram 4 bilhetes. Estes são válidos eternamente, por isso se alguém precisar de bilhetes para os transportes em Paris apitem!

Notas: Para além do metro existe o RER, rede de comboios em Paris, que é mais abrangente. Os bilhetes T+ também servem para usufuir do RER, mas apenas dentro da zona 1 do mapa, pelo que é importante não confundir os dois. Bilhetes comprados em autocarros, por exemplo, ficam mais caros e não podem ser utilizados no metro ou RER. Também é possiível adquirir-se bilhetes de barco, para conhecer Paris viajando pelo Sena, e quem o fez recomenda.

  • Alojamento em Paris

As opções são mais que muitas e os preços não são bonitos. Vou dizer o que escolhi, e porque escolhi, pois posso recomendá-lo de consciência tranquila. Vi vários preços bem mais apelativos do que o do nosso hotel, mas depois as críticas relativamente à falta de limpeza foram cruciais para os meter de parte sem pensar duas vezes. Prefiro pagar um pouco mais e ficar melhor servida.

O vencedor foi o Hotel Lumières Montmartre 3*, depois de uma extensa e exaustiva pesquisa. As minhas condições eram: localização em Montmartre, pequeno-almoço incluído, aspecto limpo e moderno, boa relação qualidade-preço, avaliação superior a 07 no Booking (especialmente na parte da limpeza), bom ambiente nocturno nas imediações e fácil acesso a lojas de conveniência e transportes. Este hotel cumpriu tudo isso e ainda superou as expectativas, por isso recomendo!
Se fizerem reserva, usem por favor este link, e assim estão a ajudar a suportar o Lugar à Janela, para além de também ganharem uns € em troca … obrigada!

Paris3

O AirBnb também será uma boa opção, mas como é mais complicado relativamente ao pequeno-almoço nunca o metemos em primeiro lugar.

Para além do preço do alojamento terão de pagar uma taxa de turismo por pessoa e por noite. Essa taxa depende do tipo de alojamento que escolherem, podendo variar entre os 0,22€ e os 4,40€ (à data de hoje). No nosso caso pagámos, por ser um hotel de 3*, 1,65€; ou seja para duas pessoas e duas noites um total 6,60€.

Nota para os curiosos: Quis ficar em Montmartre porque a única coisa que tinha saudades de Paris era do Sacré-Coeur e do bairro em seu redor, os quais não desiludiram, e mesmo apesar do tempo limitado passeámos por lá duas vezes (de noite e de dia). A localização é boa para conhecer as zonas principais de Paris, sem ter de ficar no centro.

  • Transporte para a Disney

Para ir para a Disneyland apanhámos o metro de Simplon para Les Halles, e depois o RER (bilhete custa 07,60€ por pessoa) até Marne-la-Vallée Chessy, na linha A (vermelha). A viagem de comboio dura aproximadamente 40 minutos e passamos por 14 estações. Proporciona uma visão interessante sobre os arredores de Paris.

Mais tarde farei um artigo sobre a visita e estadia na Disneyland Paris e colocarei aqui o link.

  • Dinheiro

Nesta viagem utiilizei sempre o meu cartão Revolut, facilitando o câmbio entre coroas norueguesas e €uros.

*******

E pronto, ficam assim resumidas as informações mais valiosas que vos posso dar. E agora…

…porque é que Paris é complicada?

Posso estar mal habituada, porque afinal de contas escolhi viver no Norte, onde há mais natureza e menos pessoas. Onde as cidades não são tão grandes e caóticas, e as coisas são mais simples e directas. Mas a verdade é que gosto disso, e Paris é o oposto! É suja, é grande, tem muita gente e é complicada. Roma também é assim, mas adorei Roma, e não consigo sentir-me cativada por Paris… Falta ali qualquer coisa.

Mesmo as zonas turísticas, apesar da inegável beleza dos edifícios, não são do meu agrado. É tudo demasiado man-made, a palavra de ordem é a grandeza, e eu não sou de grandezas. De alguma forma isso ainda faz sobressair mais os vigaristas que por lá andam, a tentar ganhar dinheiro fácil aproveitando-se dos turistas mais ingénuos…

Os parques, esses foram a maior desilusão! Os que visitei são simétricos, as árvores plantadas em linha, e de resto cinzentos e desprovidos de natureza. Não são permitidos cães nem bicicletas, isso para mim não faz qualquer sentido (então servem para quê…?)!

E a organização… Ou falta dela… Tudo é complicado! O metro, os pequenos cartões a servir de bilhetes, a poluição que isso gera – em todo o lado se vêem bilhetes usados pelo chão. O bilhete de 24h não servir mesmo para 24h, complicar o que devia ser descomplicado! O facto de precisarmos de ajuda e nos balcões de informação trabalharem pessoas que nos respondem de forma arrogante je ne parle pas anglais… Então que faz essa pessoa num balcão de informação turística!?

As montras, o consumisto, o materialismo, as jóias e os hotéis de luxo. As referências à moda. Os edifícios opulentos. Os restaurantes caríssimos!

Não sei, Paris não me convence. Preciso de mais do que beleza fabricada para ficar fã de um lugar. Não me deu “o clique”, das duas vezes que nos encontrámos. É certo que tem o seu charme, mas não me senti bem-vinda, senti-me mais parte do cenário de um filme com muitos efeitos especiais e pouco conteúdo. PS: Isto é só uma opinião pessoal e sincera.

Ainda assim adorei percorrer as ruas, observar pormenores, apreciar a arquitectura (uau!). Adorei ver a Torre Eiffel iluminada, não pode haver maior cliché que isso, no entanto não posso negar ser uma bela visão. O contraste entre o edifício do Louvre e as pirâmides de vidro, excelente! E mais que tudo as ruas de Montmartre, de noite e de dia, e o Sacré-Coeur iluminado! Deliciei-me com crépes e eclairs de chocolate, e babei em todas as pâtisseries por onde passei – houvesse tempo e dinheiro e vinha de lá obesa! E muito, muito mais.

Passámos um dia em Paris, e foi um dia muito bem passado, mas suficiente para mim! 🙂 Num próximo artigo contarei por onde andámos, demonstrando o lado mais bonito do passeio.

Até já!

 

 

10 thoughts on “Paris é complicada

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    1. É isso, outros pormenores… Houve coisas que até preferi não contar, até porque não sou uma mulher de grandes cidades portanto o que me surpreendeu pela negativa pode ser banal para outros. Mas de facto é uma cidade que peca em vários pormenores, e isso acaba por ter o seu impacto…
      🙂 um bom dia para ti!

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  1. Boa tarde, permitam-me discordar, Paris será sempre Paris, ou França se quisermos… Paris tem encanto e recantos que não são do conhecimento do comum turista (é necessário saber encontrar, de preferência com alguém local).
    Os jardins em recta, são mesmo os chamados jardins à francesa, contudo bastava dar um passeio ate jardim de Luxemburgo, é magnifico, tem cor , tem luz, tem “gente” bonita…
    se preferirmos ir mais 40 KM, temos Versailles, que é fantástico, ou Giverny, que não tem palavras…
    Mas Paris propriamente dita, é fantástica, assistir um espectáculo, na opera na Garnier , é um deslumbramento..
    Os cafés charmosos, apenas para estar…
    Todo restante é como em grandes cidades, muito turista muito “trabalho carteirista”…
    Vou todos os anos, e sempre que posso, alivia a alma…
    depois temos Normandia, ou Vale de Loire outras jóias a visitar…
    Sobretudo temos que ir focados nos nossos “sonhos”…(mas é apenas a minha opinião, vale o que vale :))

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    1. Por favor discorde à vontade, é mesmo isto que eu quero, partilha de experiências!
      Vemos as coisas como somos, e não como elas são. No meu caso, Paris não encanta.
      Fui aos Jardins do Luxemburgo e a minha opinião mantém-se, tenho a certeza de que os jardins franceses não me enchem as medidas. E é claro que terá ficado muito por ver, longe das zonas turísticas.
      Estou agora mesmo a trabalhar no próximo artigo do blogue, que já vai mostrar o lado de Paris que eu gosto, com fotografias que tirei nesta viagem.
      Quanto a Versailles, ainda não posso emitir opinião, mas imagino que seja no mesmo estilo.
      Em França tenho uma longa lista de desejos, entre eles os que enumerou, que espero vir a concretizar num futuro próximo.
      Quanto aos cafés charmosos, estou completamente de acordo! 🙂 Obrigada pelo seu comentário!

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  2. Olá Maria 🙂
    Informações preciosas para quem vai, ou para quem volta! Tudo muda muito depressa e todas essas indicações são muito úteis, ajudam a poupar imenso tempo.
    Estive em Paris apenas uma vez, há bastante tempo, quando estive na Eurodisney também. Foi de resto a minha primeira capital europeia, fora da península. Guardo uma enorme nostalgia e gostaria de voltar. Para ver alguns museus que não vi na altura, porque os miúdos eram pequenos, e para ver melhor o Louvre, e só para passear pelas ruas, e deliciar-me com os charmosos cafés e a maravilhosa pastelaria francesa, e voltar a fazer o passeio de barco ao entardecer, e ver melhor a Notre Dame, que estava em obras…enfim, o programa era imenso. Será um dia.
    Mas percebo o que refere quando aponta aspectos menos positivos. Não há volta a dar à forma como sentimos certas coisas. Sentimos e pronto. E ainda bem que há tanta diversidade, no que visitar, e na forma de sentir cada lugar, cada experiência.
    Certamente a sua vivência numa sociedade como a Norueguesa também terá o seu efeito nessa análise 😉
    Aguardamos então os próximos capítulos que prometem, como é habitual 😉
    Um beijinho

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    1. Olá Antónia! Só de ler o seu comentário fiquei com imensa vontade de regressar aos cafés e pastelarias de Paris. O que eu dava por um eclair de chocolate, agora mesmo! Relatou precisamente todos os aspectos que me cativaram neste passeio… Se Notre-Dame estava em obras, terá mesmo de voltar! É muito bonita.
      O passeio no Sena ficou por fazer, no meu caso, e julgo que terei também de lhe dar uma chance… um dia…
      E disse uma coisa muito acertada, em relação à minha vivência aqui. Pouco a pouco vou-me moldando, e habituando a pormenores que aprecio tanto por aqui. Não sou daquelas que veio por dinheiro, vim porque gosto deste país e desta sociedade, que em muitos aspectos difere de outro/as. E não tenho qualquer dúvida que esses “maus hábitos” se vão reflectindo na forma como experiencio outros lugares. Neste caso uma cidade tão grande e populosa quanto Paris não tem hipótese face ao meu carinho por Oslo e os seus valores. São quase opostas, e os meus gostos estão mais deste lado.
      Obrigada pelas suas visitas ao blogue!

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