Aterrar em Bangkok

Vinha preparada para o pior. Bangkok é popular; metade das pessoas que conheço já visitou, a outra quer visitar. É daqueles destinos sobre o qual toda a gente parece ter uma opinião, e a maior parte delas não são positivas… Tinha ouvido muita coisa, mas de novo conferi que mais vale ver os lugares com os meus olhos do que acreditar nos outros. “Não vemos as coisas como elas são mas sim como nós somos”.

A primeira coisa que notei, ainda no aeroporto, foram os modelos nos anúncios. Parece que, seja em que parte no mundo for, os estereótipos de beleza têm de ser diferentes do que é natural na população. Neste caso toda a gente quer ter pele branca, seja por maquilhagem ou químicos branqueadores nos cremes que usam. E eu que aqui vim a sonhar com uma pele dourada…

A segunda impressão foi a eficiência e educação dos tailandeses, o que tornou a passagem pelo aeroporto e Imigração uma tarefa relativamente rápida e bem organizada. Já vi pior, acreditem… Durante o transfer para a cidade estava tão entusiasmada que até me meti a imaginar que “se calhar o calor não ia ser tão difícil”. Assim que meti o pé fora do comboio desenganei-me. Que bafo! Pior que o calor é a humidade. Já tinha sentido isto antes, na República Dominicana, mas sem o ambiente opressivo de uma cidade e poluição em cima. O que vale é que o corpo se habitua a tudo, em pouco tempo… Já o meu cabelo, esse voltou aos seus caracóis pré-Oslo, entrei em modo caniche permanente.

Desde aí já vivemos muitas aventuras, nuns meros dois dias. Visitámos templos, e gostei tanto! Também provámos várias comidas, e aquilo que ao início me parecia tão assustador revelou-se das melhores partes da viagem. Sempre fomos curiosos com a comida dos locais que visitamos e aqui já experimentei verdadeiras delícias. Já não tenho medo de provar, sei é que quando partir vou sentir falta disto. Até ver o meu prato favorito foi o mango sticky rice e posso dizer que a Tailândia me fez gostar de manga.

Tenho visto imensos esquilos, coisa de que não estava à espera – isto merece ser dito porque eu adoro esquilos. Os parques tailandeses são super tranquilos e fiquei fã, ouve-se os pássaros e pouco mais. Temos feito longas caminhadas, longe dos locais turísticos, perdemo-nos pela cidade e explorámos vários recantos. Ontem quase íamos parar a um beco sem saída, mas um tailandês de idade e com roupas rasgadas mandou-nos voltar para trás, avisando-nos sobre isso com um largo sorriso nos lábios e gestos efusivos. Incrível como no meio de tanta pobreza, em que eu poderia ser considerada rica, nunca me senti insegura ou de alguma forma ameaçada. Como mulher sinto-me mais segura aqui do que nalgumas partes de Oslo – devo dizê-lo pois isto é importante. Excepto ao atravessar a estrada – acho que nesse caso tanto mulheres como homens temem pela vida… 😀

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Já temos várias histórias engraçadas para contar, nomeadamente a aventura do F com um papagaio. Íamos a passar por uma rua junto ao canal, onde estava uma senhora a lavar-se com uma mangueira, com um papagaio no seu ombro. O F debruçou-se para prestar mais atenção a onde colocava os pés e o papagaio saltou para cima dele. Eu que estava a observar o canal só ouvi uns berros repentinos, e quando olhei para a cena estava o meu namorado a rodopiar com um papagaio ao ombro e a senhora em cima dele a tentar recuperar o pássaro. Ela gritava a plenos pulmões aquilo que eu assumo que fossem ralhetes em tailandês para o seu amigo voador. Demorei para aí meia hora até parar de rir, e a senhor coitada ficou super envergonhada e ainda nos pediu desculpa, fugindo dali a correr com o papagaio…

Podia ficar aqui o dia todo a contar peripécias, elas acumulam-se, mesmo com pouco tempo passado aqui. As pessoas nesta cidade são de uma simpatia e boa vontade que eu desconhecia. Venham a Bangkok, de espírito aberto, porque eles têm muito para vos ensinar. Venham também a Bangkok se gostam de diversão, massagens e coisas estranhas – há de tudo e para todos… Também há coisas más, mas é o mundo que temos e grande parte dessas coisas existem porque nós – os dos países ditos desenvolvidos – as queremos consumir.

Até já 🙂

11/04/2018 – Actualização: Se quiserem ver o roteiro desta viagem, agora que já regressei, cliquem aqui.

5 thoughts on “Aterrar em Bangkok

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