Falta de atenção

O meu telemóvel sofre de falta de atenção, quando eu estou ocupada a viver a vida. Cada vez que passo alguns dias desligada do “mundo da internet” sinto que sou obrigada a regressar, a abdicar do meu tempo para gerir tudo o que ficou para trás. Sejam as dezenas de e-mails por ler – mesmo tendo eu muito cuidado com as newsletters – as redes sociais cheias de novidades inúteis ou as conversas do Whatsapp sobre as quais já perdi o fio à meada. Até o trabalho não quer ficar quieto no local de trabalho, gosta de se infiltrar na vida pessoal através da internet…

A minha conta bancária também muito se lamenta. Há sempre contas para pagar e, agora em Abril, o IRS não perdoa e obriga-me a pensar no futuro. A chamada de atenção é constante e à mínima falha podemos ter problemas sérios.

O dinheiro é o mais mimado de todos! Não basta perder tempo a ganhá-lo, ainda tenho que o gerir. Ele sabe que é o centro do mundo e usa e abusa dos privilégios que isso traz. Isso é particularmente engraçado, já que neste momento duvido que ele seja muito mais do que números digitais a dar-me dores de cabeça ou pseudo-alegrias… Já imaginaram se toda a gente quisesse transformar o seu saldo bancário em dinheiro vivo ao mesmo tempo? Não imaginem, que eu não quero gerar o pânico.

falta_de_atenção
Fotografia tirada em Hamburgo, na zona onde eu vivi

Há sempre qualquer coisa a tratar, qualquer coisa a comprar, qualquer coisa para limpar. Vida de adulto é isto? Não, não é. Vida de adulto responsável e que cumpre os seus deveres cívicos é isto, porque há por aí muitos adultos que vivem à grande e à custa de pessoas como eu e tu, e pouco ou nada se preocupam com estas “trivialidades”. Mas nem falemos mais sobre isto, que fico já com náuseas.

As redes sociais são uma excelente ferramenta mas rapidamente se tornam numa coisa assustadora. Há quase um ano deixei o Facebook, mas ele não me quis deixar a mim, e vejam só que sou obrigada a ter uma conta “alternativa” (que ele não gosta nada…) para gerir coisas de trabalho! Eu tentei, tentei o melhor que pude, mas é impossível viver-se sem Facebook. Eu não gosto e não quero usar, mas a minha vontade e gostos já não valem de nada. Cuidado! Facebook é uma empresa privada da qual neste momento não me posso desligar. Isto não vos assusta? A mim arrepia-me até aos ossos. A sério que sim. Meu rico Instagram, que vai pelo mesmo caminho…

Às vezes sinto que tanta coisa e tanta gente quer a minha atenção, quer um minuto ou uma hora da minha vida, que fica pouco tempo para mim. É tão fácil distrairmo-nos do que é importante, e tão difícil concentrarmo-nos no que é. Mas no meio disto tudo sou eu que estou a envelhecer e a ganhar rugas (agora aos quase 29 já é mais que uma! :D), portanto quem raio inventou todo este sistema!? Quem é que anda a beneficiar com isto…? É que eu não sou…

Identifica-te, para eu te dar um pontapé em certo sítio, sim?

Obrigada.

PS: E ensinarem isto na escola, não?

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