Grávida na Noruega

Como o leitor mais atento saberá, nunca estive grávida noutro lugar sem ser na Noruega (excepto em Hamburgo e Riga, os meus mais recentes passeios). Mas dizem-me os entendidos do assunto – … e neste assunto são mais que muitos … – que as coisas aqui se processam de forma diferente do que em Portugal, por exemplo. Não as mudanças no meu corpo e no corpo do Cotãozinho, claro, mas sim a forma como “o sistema” (de saúde!) funciona. Interessante? Espero que sim.

A maior diferença parece ser a atitude dos profissionais de saúde face ao facto de estar grávida e a quantidade de informação a que tenho acesso. Em Portugal, como na maior parte dos países (como disse os entendidos que me abordam sobre isto são mais que muitos, e de diversas nacionalidades…), é realizada uma ecografia no final do primeiro trimestre para ver se está tudo bem com o feto e observar alguns aspectos chave no seu desenvolvimento. Aqui não! A única ecografia que me foi recomendada e oferecida (pelo sistema de saúde) realiza-se por volta das 18 semanas (a meio do segundo trimestre, sensivelmente). É uma ecografia morfológica, que sim senhora vai ver ao pormenor se está tudo bem com o bebé, mas cujo principal objectivo e preocupação (em teoria) é determinar a data do parto. A partir daí voltamos à doce situação de não saber o que raio se passa dentro do nosso corpo, excepto que a barriga vai crescendo e que naquela data que nos indicaram provavelmente sairá de cá de dentro um pequeno humano…

Nota: repara como a minha sabedoria neste assunto, que era inexistente, nasceu e evoluiu. Ahm, ahm? Até já falo língua de grávida…

Como o alerta de quem me acompanha desde Portugal foi significativo, face à notícia da única e solitária ecografia “a meio caminho”, escolhi fazer uma às 13 semanas pelo privado. Custou-me à volta de 100€ e ensinou-me que é possível comprar paz de espírito. Também deu origem a este artigo: 160 bpm

Para além da questão da ecografia, também não me é permitido tomar qualquer tipo de medicamento, sem excepção. Se estiver a morrer com uma dor de cabeça monstruosa ou não conseguir respirar com a constipação do ano, não importa. A solução é ficar de baixa e esperar que o que quer que seja passe.

grávida_na_Noruega
Fotografia para dar cor ao artigo, tirada durante um passeio no jardim, já que não desejo fornecer-vos fotos da minha pessoa barriguda 😀 / Chegou o Outono![

Médicos/ginecologistas dão jeito, mas aqui a “raça superior” são as Jordmor. As Jordmor serão equivalentes às parteiras, em Portugal, mas assumem o papel muito mais relevante ao longo de todo o processo. São mulheres com uma impressionante sabedoria sobre gravidez e bebés, que vieram ao mundo (ou foram para a Universidade) para me salvar a mim e outras pessoas na mesma situação. Jord significa terra, e mor significa mãe. O dia em que conheci uma Jordmor foi o dia em que comecei a acreditar no sistema de saúde norueguês! Elas habitam hospitais e centros de saúde e vão esclarecer qualquer dúvida que tenhamos, apoiar-nos em qualquer problema e fazer-nos crer que a gravidez é a melhor coisa do mundo. Esta é a minha opinião à data de hoje, mas depois do parto falamos.

Também vale a pena referir que, desde que engravidei e o transmiti ao meu médico, não tenho despesas de saúde. É tudo “grátis”, pago pelos meus impostos vá, e quando o Cotão nascer assim continuará a ser. Fui contactada por um hospital público e o seu respectivo hotel a oferecer-me lugar para quando tiver que dar à luz, e já lá estive a visitar… e pareceu ser 5*!

Este tem sido um percurso com altos e baixos, e com muita coisa para aprender, mas que (até prova em contrário) me está a fazer gostar mais deste país. Ao início foi difícil gerir o choque entre a mega protecção à portuguesa contra o “a Natureza sabe o que faz” daqui. Foi uma verdadeira situação de “ou 8 ou 80”. Mas a verdade é que concordo com a filosofia deles, e não estar constantemente obcecada por probabilidades negativas tem contribuído para uma gravidez saudável e pacífica. Até ver, recomenda-se.

Até à próxima!

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7 thoughts on “Grávida na Noruega

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  1. Olá, realmente a diferença deve ser brutal. Aqui fiz, das duas gravidezes, uma assim que fui ao médico, só para ver se o embrião estava no lugar certo, apenas se via o saco vitelino e um pontinho. Depois fiz às 14 semanas, vê-se o bebé na totalidade, a tal morfológica (onde o médico viu cada ossinho, tudo ao minimo pormenor) e uma às 28 onde nós já não vimos tão bem, porque está tudo em tamanho maior e “não cabe” no ecrã, mas dá para ver os órgãos em pormenor. De salientar que recorri ao privado porque na altura o que se dizia era que enquanto no privado a eco se faz durante uns 45 minutos, se formos ao serviço nacional de saúde despacham tudo em 15 minutos. E nessas alturas uma pessoa quer o melhor, claro.

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    1. Era mesmo isto que pretendia, ao partilhar este artigo! Ouvir outras experiências, de outras pessoas. Ainda não sei se depois aguento o resto da gravidez sem fazer mais ecografias – porque é tão bom ver que o bebé está lá e está bem! – mas espero que tenha “estômago” para isso.
      Aqui a minha experiência foi o oposto… No privado tanto o equipamento como a ecografia em si/conteúdo e informação foram quase a despachar e não me impressionou, enquanto no público era tecnologia de ponta e levaram imenso tempo a verificar tudo e a explicar-me em duas línguas (inglês e norueguês). Fiquei muito impressionada!

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  2. Olá :))

    A vida é uma aprendizagem e o começo de uma nova vida é mesmo uma enciclopédia no que toca a aprender 😀
    E é tão gratificante!

    Quanto às diferenças de país para país, os mais desenvolvidos parecem valorizar a inovação e ao mesmo tempo confiar na natureza… Pelo que refere, parece-me ser “ipsis verbis” o praticado em Inglaterra.

    Daquilo que me contam, primeiro “estranha-se” (por aquilo que é o mainstream em Portugal e Espanha) e depois “entranha-se”…Mas é como diz, a paz de espírito paga-se e por vezes caro. A minha nora em Londres acabou por fazer uma análise (por opção própria e sem ser gravidez de risco) que custou a módica quantia de £500….(https://harmonytest.com/en/expecting-parents.html) porque só se faz num laboratório nos EUA. No entanto em Inglaterra em breve o NHS, na gravidez de risco, vai passar a substituir a amniocentese por esta análise.

    Enfim, parece-me muito bem “entregue”. Agora é aproveitar o momento. É único!!

    Beijinhos

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    1. Espero não ter de pagar mais pela paz de espírito, especialmente se for nesses valores! Ufa! Desde que o Cotãozinho vá mantendo a saúde que aparenta ter, e eu também, é o que se quer. Confiemos na Natureza, ou tentemos… hehehe
      Um graaande beijinho 🙂

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  3. É muito interessante essa aproximação mais natural à gravidez e nascimento, mas não deve ser fácil para quem viveu e se “educou” em Portugal, onde as parteiras de antigamente passaram totalmente para um último plano. Tal como os partos feitos em casa. Aí, só o nome Jordmor, impõe muuuuito respeito!
    A verdade é que o ser humano é bem adaptável a tudo. E o vosso Cotãozinho vai portar-se bem para não stressar a mãezinha!

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