Óbidos: estadia entre livros

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Pormenor do nosso quarto

Quem por lá já passeou saberá que Óbidos tem alguns recantos apelativos para os amantes de livros. Talvez não saibam é que entre esses recantos se inclui um hotel, onde quem entra poderá ficar confuso e pensar por momentos que está numa biblioteca… O seu nome: The Literary Man. Em Outubro dormi lá uma noite, e hoje venho falar-vos sobre essa experiência.

O primeiro impacto, quando entrei no edifício, foi o aroma. Cheirava a spa, levou-me de volta para o The Well (ler aqui: Afinal o dinheiro…)! A curta caminhada até à recepção foi o suficiente para me encher de tranquilidade, tanto pelo aroma como pelo carácter da decoração do hotel, num estilo aconchegante e fluído. Após o check-in fomos “conhecer os cantos à casa”, numa visita guiada pela simpática recepcionista.

Percorrendo corredores forrados a madeira, onde curiosamente não se sente falta de luz natural apesar da aparente ausência de janelas, deparamo-nos de vez em quando com estantes até ao tecto carregadas de livros (com vários títulos contemporâneos e conhecidos, muitos em inglês) e alguns recantos de leitura; e assim nos encaminhamos para o quarto. Calhou-nos o número 17 na Ala das Celas das Freiras.

O hotel é um antigo convento requalificado e está essencialmente dividido em duas partes: uma antiga e outra moderna, no que toca ao estilo e conforto dos quartos. Aproveito para vos confidenciar que já ouvi dizer “menos bem” da primeira. Relativamente à que nos calhou, e atenção que esta estadia foi uma oferta e não escolhemos nada, não tenho razões de queixa. Gostei imenso da atmosfera histórica aliada à decoração minimalista do quarto, dos livros que por lá encontrei, e do acesso directo ao pátio interior. A cama era extremamente confortável e tive uma impecável noite de descanso!

Adorei as lâmpadas penduradas no tecto em contraste com os interruptores “à antiga”, o canto com a escrivaninha e os tons claros e simples utilizados no quarto. Até a casa de banho tinha um estilo peculiar: tudo em madeira e o secador ou papel higiénico encontravam-se em reentrâncias na bancada. Pequenos pormenores que nos dão a certeza de estarmos num lugar diferente! Em cima da cama tinham-nos deixado uma tábua com algumas iguarias da região, entre elas a ginjinha de Óbidos, que infelizmente não pude saborear… Ai, ai Cotãozinho! 🙂 Tiveram ainda a felicidade de colocar no quarto um dos meus livros favoritos, com as poesias de Álvaro de Campos, as quais revisitei nesta estadia.

O pequeno-almoço também foi bom, não sendo ainda assim dos melhores que já tive, muito por gosto pessoal. Aprecio o estilo inglês, e infelizmente não cozinham bacon. Em contrapartida havia imensos bolos e frutas, deliciosos, entre os quais me perdi… Deve ter sido o pequeno-almoço mais doce que já alguma vez tomei! O espaço era interessante e usufruí da experiência, senti que estava a saborear a primeira refeição do dia numa biblioteca. O mesmo espaço onde comemos o pequeno-almoço serve para jantares (pedem que se faça reserva), e à noite transforma-se em bar. O hotel dispõe também de um bar de gin, que não frequentei, mas para o qual espreitei e gostei “da pinta”.

Como nem tudo é perfeito e eu gosto de ser honesta e correcta nas minhas revisões, vou referir dois pontos menos positivos. Primeiro o buffet do pequeno-almoço, que na minha opinião deveria ter pelo menos um elemento do staff presente, mas onde não vi ninguém. Segundo, os supostos recantos de leitura que, apesar de ficarem bem nas fotografias, na práctica pecam pela falta de conforto – disseram-me as minhas costas! Penso que isso se poderia resolver com mais algumas almofadas nas cadeiras/sofás…

Resta dizer que o objectivo desta curta estadia, relaxar e descansar, ficou cumprido. Recomendo a experiência a quem estiver a considerá-la, é uma boa aposta para escapadinha romântica independentemente da vossa idade. Não posso avaliar o empreendimento do ponto de vista preço-qualidade porque não sei quanto custou aquela noite, mas acredito que cobrem pelo carácter que oferecem, e vale a pena. Atenção ao vosso gosto pessoal quando tiverem que optar entre a ala antiga e a moderna, para não se desiludirem – as diferenças são consideráveis…

Até à próxima e bons passeios! Se lá forem, venham contar como correu. 🙂

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