Pensamentos Aleatórios

Açúcar no café

Hoje está de chuva e preciso de inventar calor. A semana começou mal, com muitas náuseas (e não foi por causa da gravidez… antes fosse…) e também me dá jeito inventar aconchego. Por isso vou falar de açúcar no café, já que só bebo café sem açúcar. Excepto em Portugal! Na casa dos pais bebia sempre café com leite de manhã, com três colheres de açúcar, para rapar o que ficava no final da chávena – mesmo à gulosa. Hoje em dia, adulta e com preocupações pseudo-fit, já me controlei e meti só uma colher… e meia.

Tal como o café virou doce, em Outubro, também o meu coração levou umas reviravoltas. Aprendi que afinal não estava assim tão bem aqui, que era uma “grávida sozinha”. Estava OK, mas faltava uma peça. O amor! (Parece que estou a dar numa de Harry Potter – a dizer que o que importa são as pessoas que temos e o amor…) Estar lá, rodeada dos que querem mesmo saber de mim, e sentir o todo o carinho que como grávida inexperiente nem sabia que precisava… mudou-me. Fez-me sentir definitivamente grávida! A chave foram as minhas irmãs e as longas conversas que tivemos, os abraços que demos, as gargalhadas que partilhámos. Também os meus sobrinhos, e a sua adoração pela minha barriga e o que está lá dentro. Senti-me em casa, inteira e protegida!

Para além da família e amigos, até os próprios portugueses anónimos me acarinharam. Nos restaurantes comentavam a minha barriga, tentavam convencer-me a beber vinho (“um copo não faz mal nenhum!”), queriam saber a minha (nossa!) história. Na rua as pessoas sorriam (eu e o F sempre atraímos olhares, já por várias vezes nos disseram que fazemos um lindo casal). Nas lojas interpelavam-me. De repente fez toda a diferença não estar num país nórdico, pensava eu.

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Cotãozinho @ lusco-fusco na Foz do Arelho, Portugal, Outubro 2018

Custou aceitar que tinha que voltar… Como sou mestre a sofrer por antecipação confesso-vos que já andava soltar umas lágrimas quando faltava uma semana para partir, por cada vez que a despedida final ficava mais próxima. Tive medo que esta mudança me tornasse incapaz de voltar a ser uma “grávida sozinha”. Mas afinal não, o que aprendi por lá veio comigo no avião, o coração mantém-se quente e a cabeça alerta. Gostaria muito de ter as minhas irmãs mais vezes comigo, que estivessem presentes nesta fase, mas a vida é feita de escolhas e eu segui o meu caminho. A falta que senti da minha cama, com as almofadas certas e aquele conforto do lar norueguês, também ajudou a equilibrar as coisas!

Voltar foi bom, porque casa também é aqui. Chegar a casa, ao nosso pequeno apartamento, fez maravilhas. Pode ser longe de lá, mas está perto de muita coisa que gostamos. E afinal aquele carinho também existe num país nórdico! A mudança não estava nos outros, mas sim em mim, curiosamente. Por cá tenho sentido o mesmo amor, o que aconteceu é que aprendi a recebê-lo. Parece que uma barriga redonda traz a humanidade à flôr-da-pele, une as pessoas, cria canais de diálogo – independentemente da língua falada. É extraordinário!

E assim inventei calor e aconchego para hoje, com sucesso. Fecho o artigo com um sorriso nos lábios, e sem medos (só do parto!). Como que a perceber tudo isto, o Cotãozinho até mandou um pontapé. Espero que o leitor partilhe do sentimento, e tenha uma boa semana.

Até à próxima!

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19 opiniões sobre “Açúcar no café”

  1. As incertezas e os medos fazem parte. Par além de tudo as hormonas dão o ar da sua graça e transformam uma mulher num poço de emoções. Deixa fluir, que o amor acontece em toda a parte. Beijinhos

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  2. Gostei de ler essas “nuances” da alma…
    Os apelos da alma normalmente não coincidem com os da mente….mas certamente que é a escolha certa e o cotãozinho vai gostar muito de viver na Noruega ao lado dos pais.
    Boa semana e as melhoras
    (E o parto não é assim tão assustador, vai ver!)

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  3. Muitas felicidades!!
    Eu acredito sempre no poder do amor 🙂
    E tudo de bom virá.
    O parto vai ser o mais lindo do mundo, acredita, é o nascimento do teu filho, se tiveres sempre isso em mente tudo fluirá…
    Beijinhos

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  4. São os conflitos com que temos de viver e lidar, não é? 🙂 Vamos lá ver se depois o Cotãozinho prefere neve&natureza ou sol&mar. Se gostar dos dois, como eu gosto, ainda melhor!
    Boa semana, bejinhos
    (esperemos que não! 😀 de certeza que depois venho cá contar como correu a experiência…)

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  5. O Cotãozinho um dia vai agradecer toda essa coragem. Uma vida não vai chegar com tantas histórias para contar… É bem verdade minha querida, as saudades meia volta aparecem e dão aquele pequeno soco no pescoço. Mas nem com aspas podes escrever “grávida sozinha”, porque a partir do momento que esse feijão apareceu tu nunca mais vais estar sozinha ❤️

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