Norueguices

5 anos sem bidé

Não estou nada cansada, nem ando com insónias, nem cheia de trabalho, nem com a barriga a rebentar pelas costuras, nem farta de médicos e agulhas e check-lists. Nada disso! Por isso venho aqui falar-vos dos meus 5 anos sem bidé, como que a celebrar esta data tão bonita, pois meia década com estatuto de emigrante não é para todos e pede festa. Não é para quem quer, é para quem pode! E coisas assim.
(ainda não bebi o meu café da manhã, calma comigo)

No ano passado publiquei o meu Relatório de uma Infiltrada, mas este ano os dias estão mais curtos (hmm…) e não me parece que dê para tanto. Assim como assim… Cá vão 5 momentos marcantes dos últimos 5 anos, todos eles embebidos em “sentimento emigrante” :

  1. A minha primeira mudança! Depois de um ano a partilhar casa com outros portugueses, resolvi fazer-me à vida e mudei-me para Oslo sozinha. Foi difícil, frio e molhado. Estava a chover/nevar e envolveu várias viagens de comboio entre Lillestrøm (terra onde morava) e Oslo, mais umas quantas de autocarro na cidade e muuuuitas e looooongas caminhadas cheia de tralha em cima. Lembro-me que um polícia teve pena de mim e me deu boleia até à estação (aproveitando para me “interrogar”, caso fosse imigrante ilegal…) e que no fim a ajuda de bons amigos contou muito para concluir a mudança e poder dormir a primeira noite na nova casa. Essa casa era um cubículo com wc (sem bidé!), já agora, que custava balúrdios mas me enchia de orgulho… 😀 #vida
  2. O dia em que o F chegou. Estava nervosa para saber o que ele ia achar do meu cubículo (referido acima), mas lembro-me que fiquei feliz quando ele pareceu gostar – queria que se sentisse bem-vindo. Havia neve por todo o lado e faltavam apenas uns dias para o Natal! Jamais me esquecerei que ele fez isso por mim. E de como passámos uma noite de Natal simples, comemos chouriço assado que ele tinha trazido de Portugal, e na madrugada de dia 25 levantei-me às 3 da manhã para ir trabalhar. Eram tempos loucos, sim senhor!
  3. O dia em que mudei de emprego. Fiquei na mesma empresa mas numa vaga que se adequava muito mais a mim e ao meu estilo de vida, e a partir daí foi sempre a subir! Consegui ter mais tempo livre, melhores horários e começar a viajar. Entretanto o F também já tinha conseguido arranjar trabalho, e a nossa vida estava a estabelecer-se aqui. Pouco tempo depois estaríamos a marcar viagens para Gotemburgo e Amesterdão, e foi assim que o “bicho das viagens” nos agarrou. Quantas memórias já nos rendeu…
  4. O dia em que mudámos de casa, juntos. É assim que se constroem coisas, passo a passo, e por esta altura já estávamos “demasiado crescidos” para aquele cubículo. Os dois a trabalhar e com um rendimento estável, a necessidade de um apartamento maior gritava por nós. Assim foi, e a melhor parte é que foi ele que o encontrou! Após termos visto várias ofertas (e acreditem que não é um processo fácil, tanto pelo mercado norueguês como pelo facto de não termos nascido/crescido aqui e não conhecermos a cidade) ele acabou por ir sozinho ver uma casa, pois eu estava a trabalhar nesse dia. Gostou do que viu e candidatou-se a ficar com ela, preenchendo os papéis etc. E foi escolhido! Uns meses depois mudei-me com ele para um apartamento que nunca tinha visto sem ser online, com plena confiança no seu bom gosto – e esta é a história de como o aprendiz virou oficialmente emigrante! 😀
  5. Este não é um momento, mais um sentimento, algo que não posso deixar de referir – agora que entrei neste estado de espírito. Os amigos, as pessoas! Fiz bons amigos aqui, de diversas nacionalidades, e guardo muito carinho por eles. Seja nos momentos referidos acima ou em tantos outros, ter amigos fez toda a diferença, e eles estavam sempre lá quando as coisas foram mais difíceis/menos fáceis.
5anos_LaJ
Street art numa das ruas da cidade, apropriada não?

E agora, chegando ao fim, questiono-me se o leitor saberá a razão do título…? É que bidé é uma coisa muito portuguesa! A maior parte dos estrangeiros entra nas nossas casas de banho em Portugal e olha para os bidés com ar confuso, sem saber para que serve aquilo. Consequentemente o português que emigra (italianos e espanhóis também) tem de saber adaptar-se a uma vida sem bidé, que não é a mesma coisa – eu continuo a achar que eles dão jeito!

Termino relembrando que para celebrar esta data está a decorrer um Giveaway no blogue, não se esqueçam de participar e partilhar com os vossos contactos! 🙂

Agora vamos lá viver mais um dia, que há coisas para fazer.

Até à próxima!

PS: Escrevi isto às 8 da manhã e entretanto já fiz várias coisas, entre elas ouvir o coração do meu Cotãozinho ❤ 

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11 opiniões sobre “5 anos sem bidé”

  1. Gosto tanto da tua escrita 😍 consigo ler como se te ouvisse. Parabéns por cinco anos sem bide (convenhamos, afinal essa coisa serve para que?!), parabéns por essa história de amor e aventura! E beijinhos para o Cotãozinho 🍀💛

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  2. Eu cá adoro o meu bidé, como dizes, dá sempre jeito 😀
    Respondendo ao teu comentário; Não foi muito difícil encontrá-la (a casa), o mais difícil é a burocracia e o tempo de espera para saber se a podemos ter ou não. No nosso caso ficámos apaixonados logo pela primeira casa que vimos 🙂
    Espero que te corra tudo bem 🙂
    Beijinhos e boa sorte.
    Já estou a seguir o blog

    Liked by 1 person

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