Pensamentos Aleatórios

Mais que as mães

maisqueasmães

Ao entrar com o F num estabelecimento deparámo-nos com uma enorme fila para ser atendidos. Dado o meu “estado de graça” resolvi tirar o e-reader da mala e sentar-me a ler enquanto ele esperava. Passado um bocado precisei de lhe dizer qualquer coisa e, em vez de me levantar, olhei e falei (com um à vontade e volume típicos de quem vive fora do país de origem…). De imediato, tanto ele como as duas outras pessoas olharam para mim! Um olhar automático que, entre emigrantes/viajantes, bem sabemos que significa “ouvi a minha língua”. Ou seja… numa fila em Oslo, três portugueses seguidos! Qual a probabilidade?

Depois daquilo ficou um ambiente de expectativa no ar. Iniciar conversa ou não, eis a questão! Gosto de, por divertimento, dividir os emigrantes que vou encontrando em dois grupos: A) os saudosos, que querem desesperadamente encontrar outros portugueses e falar do seu país; B) os outros (à falta de melhor palavra), pessoas que são surpreendidas porque ouvem a sua língua num ambiente estrangeiro mas nem sempre pretendem conversar. Isto é relativo, claro! Sou uma B assumida e tanto apanhei secas descomunais com elementos do grupo A como já fui repelida por B extremistas. O importante é usar a sensatez e avaliar cada situação, com sentido de humor e paciência…

Mas isto faz-me sempre pensar… A verdade é que facilmente identifico outros portugueses, mesmo antes de os ouvir falar. No emprego os meus colegas escandinavos (habituados a que haja parecenças físicas num povo) perguntam-me várias vezes o que distingue alguém de Portugal e eu nunca sei precisar. Já tentei basear-me nos indicadores físicos, mas se me foco nisso facilmente nos confundo com turcos – já repararam nas parecenças!? Espanhóis também enganam, às vezes. Penso que, no fundo, será qualquer coisa na linguagem corporal… Consigo estar no trabalho e perceber que chegou um voo de Lisboa só pelo aumento de “familiaridade” à minha volta. Será isto um sexto sentido do emigrante? 😀

O que é que, para vocês, denuncia um português pelo mundo? Como é que reconhecem outras pessoas do nosso país antes de os ouvirem falar? Quero saber.

Até à próxima!

~~~~~~~
O
Lugar à Janela nas redes sociais:
FacebookInstagramPinterest * Twitter

Follow my blog with Bloglovin

 

8 opiniões sobre “Mais que as mães”

  1. hehehehe o aconchego da língua materna é tramado 🙂
    Acho que acima de tudo somos muito expressivos quer em linguagem verbal quer não verbal. Mais …somos muito de proximidade. O belo do parte costelas num falta e o típico beijinho também não.
    Apercebo-me disto pelo facto de ter n alunos em programa de erasmus, de vários países e culturas.
    Somos muito do toque, do falar alto, das conversas de querer saber de tudo 😛

    Por experiência até os programas televisivos menos bons são bem vindos quando estamos longe 🙂

    Liked by 1 person

  2. Não resisto a contar um episódio: há uns trinta e tal anos, andávamos a passear em Munique, perto do estádio olímpico, quando vejo três pessoas ao longe, duas mulheres e um homem, caminhando na nossa direcção. E eu comento: Aposto como são portugueses! Quando nos cruzamos…estavam a falar português!
    Aquela intuição teve apenas a ver com a forma do corpo (mulheres pequenas e gordinhas) e com a forma de vestir. Apenas isso!

    Liked by 1 person

  3. Programas televisivos e música! 😀 Cá em casa já se ouviu desde Tony Carreira a Zé Cabra, tudo é motivo para dar um salto à terrinha de vez em quando.
    O toque é de facto muito nosso, até poderia escrever algo sobre o cumprimento porque já perdi o hábito dos beijinhos e agora quase reajo a isso como uma verdadeira escandivava. Verdade seja dita, é um hábito estranho… Em contrapartida aqui temos o semi-abraço, que também não me agrada, porque eles fazem-no com uma frieza e distância que eu como portuguesa não sei dominar.
    beijinhos!

    Gostar

  4. Quantas vezes isso não nos acontece! Quando andamos a passear por Oslo e vemos turistas fazemos disso um jogo, encontrar os portugueses antes de os ouvir. Não quis ir por aí para não causar repercussões indesejadas, mas a descrição que fizeste foi no ponto… 😀 Especialmente pessoas mais idosas, acho tão fácil reconhecer pelas características que referiste! Quase nunca falha. Há qualquer coisa nas roupas, é verdade, que me leva a crer que sejam portugueses mas ainda não consegui definir o que é.
    beijinhos

    Gostar

  5. uma vez estava (também) numa fila de um restaurante, em Kiev, a falar com a mnh namorada da altura e eis que atrás de nós somos surpreendidos com uma voz que falava português. por mais que reconhecesse as palavras, confesso que, de início, não as consegui associar ao real significado e lembro-me de ter estado uns 10 segundos intermináveis a tentar perceber o que estava a acontecer ahah e é verdade, há sempre um tuga perdido por este mundo fora 😉 abraços e bom fim de semana, PedroL

    Liked by 1 person

  6. Jajajja qd estou em Portugal, passa-me o mesmo! Esqueço-me que todos me percebem e na primeira meia hora fico intrigada com o facto de que toda a gente fala português. Hilariante!!
    Em Barcelona há mts portugueses, é dificil explicar como nos identificamos, mas a verdade é que sim, há sempre qualquer coisa que nos distingue. E não é a forma física, é mais uma forma de estar. Muito interessante esta perspectiva deste teu post.👌🏽

    Liked by 1 person

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s