Norueguices

O amigo fjord

oamigofjord
Oslo, Janeiro 2019

Às vezes tenho medo de falar de Portugal e comparar com a Noruega, porque já estou aqui há tanto tempo… Medo é uma palavra forte. Vou usar antes “dúvida”. Duvido da minha sabedoria nesse assunto, da veracidade das minhas memórias, até porque eu já não sou a mesma que era por lá. Nem sou sequer a mesma pessoa que cá chegou, há 5 anos. Muita coisa mudou, muito se passou e eu evoluí com o tempo e as lições.

Estou sentada num banco junto ao fjord, a contemplar o pôr-do-sol, ou melhor… a senti-lo na minha pele. É que este sol é tão brilhante e tão baixo que se torna difícil levantar os olhos do chão, especialmente a esta hora do dia. Mas a luz e o calorzinho subtil estão cá.

Estou aqui em silêncio, já há bastante tempo, e só agora resolvi pegar no telemóvel porque me apeteceu escrever. Não sou a única: noutros bancos, à minha volta, há mais pessoas a fazer o mesmo. Não a escrever nos telemóveis, mas sim a absorver este pôr-do-sol, de olhos fechados e a sorrir levemente. Vieram aqui para isso, uns ficam muito tempo e outros apenas por uns momentos, mas o sentimento é o mesmo e vive-se um ambiente de comunhão.

Talvez seja do país nórdico, a ausência de tagarelas e conversas cruzadas, ou talvez eu tenha mudado mais do que pensava e aprecio isto de forma diferente. Mas… em Portugal havia disto?! A simplicidade de estar junto à água, em silêncio, a dar valor ao sol e sem ter de fazer mais nada? Talvez sim… junto ao mar… mas com esta naturalidade, e com tanta adesão?

Gosto tanto. Este é dos meus sítios favoritos, do qual um dia sentirei saudades se tiver que partir. Quando vivia lá achava que ver o mar era o melhor que podia ter, mas desde que me mudei para cá e descobri os rios, os lagos e o fjord… acho que não trocava isto por nada, pelo menos não de ânimo leve. Adoraria viver junto a um rio, mas para já o meu coração está com o fjord de Oslo (poderia dizer fiorde, em português correcto, mas não gosto dessa palavra).

Não é só o sol que nos traz aqui. É a água, a profundidade e tranquilidade destas águas. Um espelho negro, levemente ondulante e hipnotizante, misterioso e com uma aura mágica. Entra pela alma e sossega-a. Quando estou aqui até a música desligo. A água e o fjord são suficientes, o sol um extra apreciado. A calma.

Este meu amigo fjord traz introspecção, e quando estou acompanhada traz também conversas mais profundas.

Levantou-se agora um vento gelado, mas nem isso nos demove. Até pelo contrário, encaixa no estado de espírito, na envolvência deste lugar. Daqui a pouco vou retirar-me para um qualquer café aconchegante e pegar num livro, beber um cappuccino. A vida é tão boa, não é?

Pronto. Apeteceu-me escrever e escrevi. Ao sabor das ondas do fjord, poderá dizer-se.

Até à próxima e bom fim-de-semana!

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4 opiniões sobre “O amigo fjord”

  1. Tão bom. Eu sou a única pessoa do meu grupo de relações que sonha conhecer os fiordes da Noruega. Sinto uma tendência para os países do norte da Europa que não sei explicar, por isso compreendo tão bem a descrição que fazes.

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  2. Eu também gosto muito de ter esses momentos de recolha e de contemplação, a aproveitar o melhor da vida. Faço isso sempre que possível mas sabe sempre a pouco.
    Tenho alguns “spots” preferidos e todos relacionados com água 🙂
    Aproveita Mia estes verdadeiros momentos de prazer.
    beijinhos aos 3

    Liked by 1 person

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