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Prioridade: cá e lá

Este é um assunto sobre o qual já tencionava escrever há algum tempo, mas tive de esperar até ter “dados suficientes”. Não vou falar de leis nem de obrigações, mas sim da experiência que reuni em termos de educação/boa vontade das pessoas para dar prioridade/lugar a uma grávida, tanto aqui na Noruega como lá em Portugal. Será que há diferença entre os dois países? Seguem dois exemplos para cada um.

prioridade
O Cotãozinho a coleccionar flocos de neve

A primeira vez em que me deram prioridade foi no Colombo, na fila para a casa de banho. Ali estava eu à espera, como sempre tinha feito na vida, quando uma senhora no início da fila me chamou com um sorriso simpático e me ofereceu a sua vez. Estava mesmo aflita e aproveitei logo. Lembro-me de ir ter com os meus amigos a seguir e comentar espantada “estou mesmo grávida, deram-me prioridade no wc!”.

A segunda vez foi também em Portugal. Cheguei a uma caixa de supermercado com um pacote de Filipinos (desejos, sim?) e à minha frente estava uma mulher que me olhou de alto a baixo com ar azedo. Num tom alto e resignado ela fez questão de dizer “se é só isso que vais comprar podes passar”. Estranhei aquilo, pensei que ela se estava a referir ao volume de compras; não gostei de ser tratada por tu mas ignorei. Só entendi que se estava a armar em mártir quando a senhora da caixa olhou para a minha barriga e depois me revirou os olhos como quem diz “que idiota”. Neste caso, dar lugar a uma grávida foi motivo de drama, mesmo que ninguém lhe tenha pedido…

Por aqui as principais situações deram-se em transportes públicos. A primeira foi ao entrar num autocarro sem lugares livres: imediatamente um homem tocou-me duas vezes no ombro e disse-me de forma práctica “senta-te aqui”, dando-me o seu lugar. Noutra ocasião entrei num eléctrico e estava tudo ensanduichado (esta palavra existe?), nem me preocupei em sentar-me e agarrei-me logo a um varão pela minha vidinha. Ia a ouvir música e quando me apercebi estavam várias pessoas a chamar por mim e a indicar-me um lugar livre, que eu não tinha visto. Essas mesmas pessoas organizaram-se e abriram-me caminho, ajudando-me a sentar em segurança. Impecável!

Então, acho que há diferença entre os países? Sim! Aqui parecem-me ser mais prácticos. Se a situação do supermercado tivesse sido cá aposto que simplesmente a mulher não me daria lugar, o drama e tragédia do comentário provavelmente não aconteceriam. Em contrapartida, se a do autocarro tivesse sido em Portugal, duvido que algum português bem educado me abordasse com dois toques no ombro… 😀 Seria mais um “olhe, desculpe”, algo assim. O importante é que no geral, e independentemente das fronteiras, a experiência tem sido positiva.

[Gosto tanto destes meus dois países, são tão engraçados e complementam-se tão bem. Se eles soubessem…]

Bom arranque na nova semana que aí vem!
PS: Hoje é dia da Mãe, por aqui.

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3 opiniões sobre “Prioridade: cá e lá”

  1. Ontem saiu um artigo de jornal referindo faltarem umas 4 ou 5 gerações, em Portugal, até que homens e mulheres partilhem as tarefas domésticas de forma igual. Parece-me que nesta questão será o mesmo, se não for pior. Terá de decorrer primeiro, tanto num caso como noutro, um processo de consciencialização de ambas as partes. De quem tem o direito de o fazer valer, e a outra parte de cumprir o seu dever de forma voluntária.
    Ontem mesmo vivi uma situação que se replica no nosso quotidiano. Estava no Lidl (um dos supermercados mais aborrecidos para se fazer compras por causa das filas e que evito sempre que posso), e, para variar, estava uma fila imensa.
    À minha frente estava uma jovem senhora com uma menina pequena, cerca de 3 aninhos. E na frente de nós duas, uma fila interminável, mas um conjunto de pessoas muito heterogéneo. A menina estava bastante inquieta, e aborrecida, e eu disse à mãe “não quer passar à frente? tem prioridade”. A jovem respondeu-me “eu sei, mas ela já é crescida e só quer colo”. E pronto lá aguardaram, pacientemente a mãe, impacientemente a filha, a sua vez. Ouvindo e vendo a inquietação da criança, toda a gente se fez despercebida e ninguém teve a consciência de lhe dar a vez, e cumprir a lei. Nem a senhora da caixa, e também é sua obrigação. Vai levar tempo…

    Beijinhos Maria, no ano que vem irá saborear o Dia da Mãe de forma ainda mais especial!

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  2. Eu li sobre isso em vários jornais online e fiquei mal impressionada com as informações. Não compreendo como é que mulheres da minha geração ainda se podem sentir assim, só poderá mesmo ser um problema de educação. Prefiro acreditar que as pessoas que participaram no estudo foram mal escolhidas… desconfiei quando disseram “mulheres que usam muito a internet”.
    No entanto parece-me que nós mulheres somos mais propensas a ter “check-lists” sob controlo, por exemplo, e isso automaticamente nos dá mais carga de trabalho e mais responsabilidade a nível familiar. Acredito que isso ganhe ainda mais peso com a chegada dos filhos… Já para não falar da gravidez, em que sobra tudo para nós, e isto no “casal errado” pode até gerar rancores e alterar a dinâmica.

    Sobre a prioridade: partilhei este artigo num grupo de grávidas e mamãs nas redes sociais e pedi feedback, e todas ou quase todas as respostas foram precisamente assim! Negativas! Sobre as pessoas ignorarem, ou refilarem. Tal como nesse caso, provavelmente essa mulher até tinha medo de dizer alguma coisa, para evitar a “vergonha”. Triste e grave. Já para não falar ilegal…

    beijinho, como vantagem até tenho dois dias da Mãe 😀

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