Pensamentos Aleatórios

A mão do diabo

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Título: A Mão do Diabo
Autor: José Rodrigues dos Santos
Ano de publicação: 2012
Número de páginas: 592

> Resumo

“A crise atingiu Tomás Noronha. Devido às medidas de austeridade, o historiador é despedido da faculdade e tem de se candidatar ao subsídio de desemprego. À porta do centro de emprego, Tomás é interpelado por um velho amigo de liceu perseguido por desconhecidos. O fugitivo escondeu um DVD escaldante que compromete os responsáveis pela crise, mas para o encontrar Tomás terá de decifrar um criptograma enigmático.
O Tribunal Penal Internacional instaurou um processo aos autores da crise por crimes contra a humanidade. Para que este processo seja bem-sucedido, e apesar da perseguição implacável montada por um bando de assassinos, é imperativo que Tomás decifre o criptograma e localize o DVD com o mais perigoso segredo do mundo.
Numa aventura vertiginosa que nos transporta ao coração mais tenebroso da alta política e finança, José Rodrigues dos Santos volta a impor-se como o grande mestre do mistério. Além de ser um romance de cortar o fôlego, A Mão do Diabo divulga informação verdadeira e revela-se um precioso guia para entender a crise, conhecer os seus autores e compreender o que nos reserva o futuro.” (fonte: Goodreads)

> A minha opinião

Não foi o primeiro que li do José Rodrigues dos Santos, nem sequer o primeiro com o Tomás Noronha como protagonista. Se tinha achado os outros fracos, este achei mau. Só não digo péssimo porque não o posso avaliar como um todo, já que há pouca coerência entre a parte de pesquisa/debitar de informação com o enredo e personagens. Esse é um padrão que já observei noutros romances do mesmo autor e a razão para que ainda nenhum me tenha convencido.

Como o resumo indica, o livro aborda a situação económica e financeira e as medidas de austeridade na Europa, assim como a história da origem da crise e a influência dos EUA na mesma. Foca-se principalmente em Portugal, em elementos políticos e de corrupção, utilizando frequentes discursos demagógicos que parecem revelar acusações graves. Compreendo que assim tenha conquistado muita gente, acredito até que este suposto romance tenha sido escrito precisamente para lucrar com o tema da crise e não para se tornar num bom livro.

Bom… Não posso negar que ao ler este livro adquiri conhecimentos sobre a temática mencionada e que esse lado é apelativo. Sei que tal como eu há quem gostasse de aprender mais sobre o assunto e é certo que o autor explica bem as coisas, dá-nos uma clara ideia de como funciona o mundo dos interesses financeiros e de como favorece e prejudica sempre os mesmos.

Então porquê tão mau? Para mim a acção não teve nada de credível ou sequer aceitável, chegando a haver momentos ridículos e falhas graves. Lá por ser ficção não quer dizer que tenha de ofender a inteligência dos leitores… Digo eu, que nunca escrevi nenhum livro porque sei que não é para todos, dá trabalho e há que atar muitas pontas para que as coisas façam algum sentido! Neste as personagens são fracas e inconsistentes, a linguagem que utilizam não condiz com as mesmas e as interacções entre elas resumem-se a diálogos sem nexo ou discussões descabidas sobre a crise económica. A título de exemplo: o Tomás Noronha anda acompanhado de uma suposta agente da Interpol que se prova repetidamente irracional e inútil e parece ter sido incluída na história como pretexto para as cenas de sexo! Enfim, está muita coisa mal neste livro, na minha opinião.

Em 592 páginas, a grande maioria é aquilo a que em bom português se chama PALHA! “Aventura vertiginosa” e “mestre do mistério”, como o resumo promete, não vi.

Assim sendo, entre de 0-5 dou-lhe um 1 estrela – e é pela pesquisa que terá envolvido e o seu benefício para os leitores. Recomendo a leitura, nem que seja para me virem dizer que sou maluca e imaginei tudo!

> Citação favorita

Equacionei colocar aqui alguns excertos para ilustrar a minha opinião mas não posso arriscar traír a história para quem a quiser ler, por isso deixo duas passagens engraçadas que guardei do início do livro (quando ainda tinha a esperança de uma boa leitura).

Decorria o noticiário e um apresentador orelhudo com expressão sisuda dava notícias frescas da crise

Aprendera no Tibete que a vida era mudança e o sofrimento resultava da incapacidade de aceitar essa verdade cruel

~~~~~~~
O
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4 opiniões sobre “A mão do diabo”

  1. Deste autor li “a filha do capitão” há muitos anos atrás, antes de ele ter sucesso como escritor e lembro-me que gostei muito.
    Entretanto mais recentemente li outro livro dele (não tenho certeza se li mais um ou dois mas vou falar do ultimo dele que li) e achei ridículo, porque é suposto a personagem ser um tipo inteligente e culto mas depois temos de levar com a mesma explicação 3 e 4 vezes o que tendo em conta a personagem não faz nenhum sentido. Além disso aquilo tinha uns estrangeirismos no meio, tipo “calcinha” que também não se adequavam à narrativa e por fim tinha muita palha. O tema do livro que li até era muito interessante mas a sensação que tive foi que ele queria tanto tornar o livro acessível a todo o tipo de leitores que acaba por se perder em explicações e descrições que não se adequam aos personagens que cria.

    Tenho aqui dois dele para ler mas não tenho muita pressa de o fazer. 😡

    http://sonhamasrealiza.pt

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  2. É exactamente isso!! Tipo fast food, versão livro. Não tem que ser bom, só agradar a muitos e vender bem.

    Tenho que ler “A Filha do Capitão”, pelo menos aí não levo com o Tomás Noronha. 😃 Já me falaram bem desse por várias vezes.

    cumps

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  3. Olá. “A filha do capitão” é talvez dos livros que li do autor, o melhor de todos. Adorei, talvez por ainda não estar numa fase de produção a alta velocidade, como me parece ser o caso do autor. A seguir li o “Codex” e detestei o livro, ainda hoje não sei como o consegui ler… quando foram saindo outros perdi a vontade de ler mais d autor até que saíram os livros “o homem de Constantinopla” e “um milionário em Lisboa” os quais gostei bastante, por retratarem a história de um homem que passou por épocas da história pouco falada, mas que me parecem que deviam aparecer mais nos livros de história como o genocídio arménio… Portanto, José Rodrigo dos Santos é sempre uma incógnita, pois não sabemos se vai ser uma boa ou má leitura…
    Gostei de descobrir o seu blog.

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  4. Agradeço as sugestões e garanto que ficaram apontadas. 🙂 Obrigada pela visita! bom fim-de-semana

    (demorei a responder porque entretanto tive um filho e o tempo “parou”)

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