Janelinha Pop-up

Agenda preenchida

Tenho a agenda preenchida, mas não é por eventos sociais chiques ou encontros românticos ou seja o que for. A agenda (e a cabeça) está preenchida por tudo o que é Cotãozinho.

Acho que o que mais me perguntam, ultimamente, é isto: “como é ser Mãe”? Ser mãe não sei como é, mas sei o que é ser A Mãe Dele – na nossa situação. Estamos completamente sozinhos, num país estrangeiro e pouco importa se num dia é mais fácil e noutro mais difícil. Pouco importa se tenho sono, se quero comer, se quero fazer necessidades (!) ou se estou sem paciência para alguma coisa. Há que dar sempre 100%, senão sinto que estou a falhar, e com ele não posso falhar.

A principal diferença, que já era esperada, é que o meu corpo já não é só meu (há muito mais que três meses, se pensar bem nisso). Aliás, não há nada que seja só meu, na realidade. Todas as decisões, todo o ar respirado, absolutamente tudo tem de passar por ele. Posso estar neste momento a escrever, mas ao mesmo tempo tenho que estar atenta a ele, e serei garantidamente interrompida 300 vezes. Posso querer fazer exercício, mas tem de ser a correr enquanto sei que ele está a dormir, e só com muita sorte conseguirei tomar um duche decente depois – e relaxar. Posso querer dar um passeio ou ir tomar um café, mas tenho que estar atenta ao relógio e a pensar sempre nas rotinas dele – com horas de regressar a casa etc. Resumidamente, é nunca mais fazer só uma coisa de cada vez! É toda uma capacidade de multitasking elevada ao extremo. De entrega.

É ter listas intermináveis de coisas para fazer na cabeça, e estar constantemente a tentar manter tudo sob controlo quando quase nada do que quero controlar é controlável. Sim?

É querer integrar-me mais na sociedade onde vivo, com ele, mas estar na dúvida se tenho energia para ainda estar a passar por isto tudo numa língua que só falo há uns anitos; com pessoas que nem sequer cresceram no mesmo background que eu.

É ter muitas perguntas, e só algumas respostas.

É estar sempre alerta, corpo e alma.

Parece mau, mas não é. É só confuso. E isto não é a maternidade, é a maternidade como a mim me calhou (ou como eu a escolhi?), sem qualquer ajuda. E porque insisto nessa tecla? Porque quis vir escrever isto para mandar um grande aplauso virtual a mim mesma e a todas as que andam por aí como eu. É merecido, quando se está a aprender a equilibrar tanta coisa e ainda conseguimos chegar ao final de cada dia com um sorriso para dar, sem odiar a nossa situação e com amor no coração.

E já agora, isto devia dar para meter no currículo!

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O
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4 opiniões sobre “Agenda preenchida”

  1. Uma grande salva de palmas para ti, que mereces mesmo! Ser mãe, em circunstância alguma é fácil. Mas ser mãe longe do apoio da família… é todo um outro nível, que só quem vive sabe o que é! Mas vamos conseguir. Cada dia que passa em que conseguimos cuidar dos nossos bebés e chegar ao fim do dia com alguma sanidade mental é uma vitória (= palmas para nós e palmas para os nossos bebés!

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  2. Descrição perfeita do que é ser mãe. Para já, e nessa fase e circunstâncias.
    Com o tempo, a tendência será de nos esquecermos de nós, e de acharmos, inconscientemente, que somos super-mulheres. E não somos, porque as super-mulheres não existem. Só nos filmes!
    Somos apenas mulheres, generosas, “multi-task”, mas humanas. E com limites!
    E os filhos não apenas e só nossos filhos. Seres tão importantes como nós.
    Isto é só um pequenino alerta, envolto numa experiência de 36 anos como mãe!

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  3. Não sou super-mulher, garantidamente. A prova: chego ao final do dia exausta! Espero que isto seja como um músculo e se vá treinando. Tenho (só) uma vida inteira pela frente…
    Mas acho que percebo o que queres dizer. É a questão do controlo, e das listas de coisas a fazer, e de ninguém os compreender tão bem nesta fase quanto nós. A linha é ténue…
    Se há coisa que faço todos os dias, desde que ele nasceu, é recordar-me de que é ele é um (pequeno) indivíduo. Aposto muito na comunicação entre nós.

    Obrigada! Beijinhos!

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