Pensamentos Aleatórios

Um beco sem saída

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Num final de tarde de Inverno, noite cerrada aqui no norte, caminhava pelas ruas de Oslo uma mãe portuguesa com o seu bebé no carrinho. Ela estava de licença de maternidade e tinha ido aliviar o stress das rotinas, da repetição, com um passeio para conhecer a sua nova vizinhança.

Havia neve, muita neve. Encontravam-se numa zona residencial da cidade, não se via ninguém na rua. Pesava o silêncio característico do Inverno, a presença isoladora da neve. Esse silêncio era apenas quebrado pelos passos da mãe e as rodas do carrinho a esmagar o gelo.

Aquela mãe estava encantada com o cenário que a rodeava, o silêncio envolvente e as luzes quentes nas janelas (algumas enfeitadas para o Natal), mas mal sabia ela que o melhor ainda estava para vir. Ela tinha – sempre teve – a mania de “andar mais um bocadinho”. Há sempre mais para explorar, é-lhe difícil parar e desistir de saber o que a próxima esquina reserva. Esse dia não foi excepção, e depois de aceitar que era hora de regressar a casa com o seu bebé ela deciciu “só mais uma esquina”, e assim foi.

Após essa esquina deu consigo num beco sem saída. De um lado um edifício, do outro o bosque. Via-se apenas os contornos das árvores e da vegetação de Inverno, iluminados pelas janelas do prédio. Nesses contornos, pelo canto do olho, aquela mãe registou um movimento subtil. Parou e tentou perceber o que era. Pouco a pouco foi distinguindo um vulto, uma orelha, um focinho… Um animal! Estava parado a observá-la; que animal seria? Estando tão perto do bosque e no meio do silêncio, sentiu uma pontinha de medo pelo seu bebé e considerou voltar imediatamente para trás.

De repente, outro movimento, mais à frente. Desta vez o animal estava totalmente banhado de luz e visível. Era uma cria de veado! O entusiasmo foi tal que, sem pensar, ela avançou naquela direcção. Rapidamente o bosque ao seu lado acordou com sons de animais em fuga. E o pequenino, assim como o primeiro que ela tinha visto (outra mãe a temer pela sua cria?), escaparam por entre as sombras de volta ao seu mundo.

O silêncio retomou-se mas o sorriso da mãe humana manteve-se. Ela não sabe se consegue expressar a magia daquele momento com este texto, mas apeteceu-lhe escrever sobre ele.

3 opiniões sobre “Um beco sem saída”

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